Auto-estima pode ser definida como um sentimento interior de valor pessoal. Cultivá-la é uma tarefa interna que pouco tem a ver com fatores externos tais como o que possuímos, quem somos, que títulos detemos.

Quando não estamos satisfeitos com nossa pessoa, tentamos livrar-nos de nossos sentimentos de inadequação e compensá-los de alguma forma. Uma das maneiras encontradas para esquecer o nosso baixo amor próprio são as grandes realizações. Quanto maior o nosso sucesso, mais valiosos tornamo-nos como pessoas, pelo menos é isso que gostaríamos de acreditar. O problema é que quanto mais realizamos, maior o buraco. O trabalho passa a ser um vício. Sentimo-nos nas alturas e isto nos dá uma sensação de bem-estar, mas por pouco tempo. Nossos feitos têm de ser cada vez maiores para chegarmos à mesma altura e essa sensação de estar no céu e dura cada vez menos.

Os grande realizadores, trabalhadores compulsivos, têm dificuldade em obter ajuda porque ninguém sabe que eles precisam dele, ás vezes nem eles mesmos. E eles são recompensados por seus esforços compulsivos que, por sua vez, reforçam o comportamento doentio que os mantém prisioneiros.

Se você espera que toda a sua auto-estima venha do trabalho, prepare-se para estar sempre insatisfeito, qualquer que seja este trabalho. Você estará sempre a mercê de outras pessoas. As pessoas responsáveis pelos aumentos salariais, promoções e recomendações serão a sua fonte de autovalorização, o que é uma situação perigosa; sua autovalorização só pode vir de dentro.

Eis aqui alguns sintomas que podem indicar que você está investindo demais no seu trabalho:

  • Você se sente melhor consigo mesmo quando está trabalhando ou conversando sobre trabalho.
  • Você passa maior parte das suas horas trabalhando no escritório ou em casa.
  • Você tem pouco ou nenhum hobby ou outros interesses fora da sua carreira.
  • Você passa pouco tempo com pessoas com quem tem um relacionamento mais próximo.
  • Depois de trabalhar arduamente em um projeto e ver que ele é um sucesso, você se sente euforicamente nas alturas, mas a queda dramática não demora a vir.
  • Nas situações sociais você quase só fala sobre trabalho.
  • Quando encontra as pessoas pela primeira vez, você tenta encontrar um meio de mostrar a elas como é bem sucedido.
  • Quando os planos no trabalho não saem exatamente da maneira esperada, você em geral fica desapontado e sente-se desmoralizado.
  • O seu trabalho em geral vem antes de tudo na sua vida.
  • Você tem dificuldade de relaxar nas férias
  • Você fica bravo e ressentido quando outras pessoas interferem nos seus planos de trabalho.

Um dos motivos pelos quais não encontramos satisfação no trabalho é que nossas expectativas sobre o que ele é capaz de oferecer não são realistas. Investimos virtualmente todo o nosso ser no trabalho e esperamos que ele nos dê o que só pode vir de dentro de nós mesmos.

Sigamos avante!

Sulamita Martins

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