Um singela fábula narra que vários discípulos dispostos a realizarem o aperfeiçoamento se reuniram com o mestre para receberem as orientações sobre como alcançar seus objetivos sublimes.
Foram ministrados esclarecimentos iluminados aos aprendizes acerca dos diamantes encantados que possuíam a magia de libertar a consciência do jugo da ilusão.
Depois de muito esclarecimento e diálogo, chegava o momento da prática.
Foram todos para um lugar onde existiam vários lagos com o nome de cada um dos discípulos. O mestre esclareceu que quem desejasse se aprimorar tinha de mergulhar em seu lago para garimpar os diamantes encantados depositados no fundo de cada um deles, que estavam tomados por crocodilos e animais peçonhentos.
Os discípulos olharam para aquela cena, sentiram medo e perguntaram:
– Mestre, por que enfrentar tamanhos perigos?
– Dentro de cada lago existem as suas próprias criações, frutos de suas escolhas milenares. Somente lidando com os resultados de sua liberdade vocês conseguirão alcançar os diamantes encantados.
Quem deseja aprimorar começa assumindo sua realidade.
– O que vai nos proteger quando pularmos no lago? Os animais podem nos destruir.
– Vocês serão tratados por eles em conformidade de como tratarem a si mesmos. A sua proteção é o amor que tiverem para consigo mesmo. Se usarem a couraça protetora do auto-amor, ficarão imunes às ameaças.
Os discípulos compreenderam que cabia a cada um deles construir sua própria proteção diante dos desafios justos que os aguardavam.
Assim como nessa fábula, a aplicação da reforma íntima à luz do compreende o dever de mergulharmos nas zonas profundas de nossa mente em busca do tesouro divino de Deus depositado em nós. Evidentemente , para que cheguemos a esse tesouro , vamos nos deparar com todas as criações mentais milenares nas faixas sombrias do inconsciente.
A necessidade mais emergente de quem se lança corajosamente a essa missão pessoal é sentir-se protegido.
Aliás, a proteção parece ser a mais básica das necessidades humanas nos dias atuais, diante de tantas ameaças e abusos. A humanidade clama por um colo protetor de um SER maior que lhe proporcione um estado interior de segurança. O medo é os sentimento mais presente, por isso, é gritante a necessidade de se sentir protegido.
Na fábula, cada aprendiz tinha o seu próprio lago e competia a cada um a descoberta de seus próprios diamantes e o enfrentamento de suas ameaças pessoais. Ou seja, amar não é mergulhar no lago alheio e realizar o trabalho do outro. Agindo assim, ultrapassaremos os limites das forças, tecendo uma teia, na qual nos fazemos vitimas de nós mesmos e das energias alheias. Além disso, quem se ocupa em fazer o trabalho que a outrem compete costuma esquecer o seu próprio lago, a sua própria garimpagem.

Gratidão!
Sulamita Martins
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