Tomar contato com a falibilidade é uma experiência comparável à dolorosa cirurgia sem o benefício da anestesia.
Sentir-se impotente, arrepender-se de más escolhas, reconhecer honestamente uma falha lamentável, ter a coragem de olhar para os erros do passado são atitudes desafiantes para nós que buscamos o aprendizado.
Quando todas as resistências do orgulho e da vaidade a respeito de nossos reais limites se quebram, a sensação de frustração costuma ser o espelho no qual enxergamos as tormentas de quem se percebe falível. E a frustração pode transformar-se na porta que se abre para a entrada do desvalor pessoal, que encarcera a mente e o coração na sensação de inutilidade e vazio interior.
Nesse quadro de provas emocionais, experimentamos a amargura da solidão e o clima da falência moral. Tudo parece uma sementeira arrasada por praga destruidora e um mal-estar toma conta da alma.
Para ajuizar-se sobre quais são as reais necessidades de aprimoramento, torna-se indispensável a desilusão a respeito do que pensamos que somos.
É necessário contato com nossa falibilidade para examinar com proveito a realidade que nos cerca. A humildade só é possível quando caem todas as escamas enfermiças de nossa autoidolatria sobre supostos valores e qualidades que ainda não possuímos.
É no clima da frustração que brota a verdadeira identidade do ser eterno, individual, exuberante e capaz de refletir a grandeza do criador.
Quem sofre a dor da frustração guarda, no íntimo, muitos anseios nobres que ainda não foram alcançados. Somente quem não se alimenta de boas intenções não se frustra.
Frustração pode ser também indício de que necessitamos rever posturas e reconstruir decisões, não sendo por isso, sinônimo de infelicidade. Frustração é sinal de rota mal orientada, e os infelizes não são aqueles que tentaram e falharam, mas, aqueles que se quer importam-se com os dissabores da existência, optando pela fuga na irresponsabilidade. As pessoas que se frustram o fazem porque tiveram atitude, tentarem, nutriram boas intenções, desejos e expectativas.
Não confundamos frustração com derrota. Frustração é sintoma de que o resultado não foi o esperado, e a derrota só existe para que desistiu ou nem tentou.
O fato de nos esforçarmos para alcançar o êxito não significa que o alcançaremos. Isso não basta.
Nos dias atuais, em função do imediatismo, há uma busca desenfreada de sucesso pelos caminhos da facilidade, quando, na verdade, toda conquista legítima, para valer a pena e nos pertencer de fato solicita o concurso louvável do tempo, da paciência, da disciplina e da persistência.
Muitas vezes o que consideramos perda, erro e má escolha é uma alteração de curso nas lições da vida para nos aproximar ainda mais do desenvolvimento de habilidades e valores que verdadeiramente nos farão felizes e realizados.
Vamos acolher a frustração como um alerta da existência a fim de examinarmos com mais atenção a qual aprendizado estamos sendo chamados.
Lembremo-nos de que os vitoriosos não são os que sempre acertam, e sim os que não desistem.

Sigamos avante!
Gratidão!
Sulamita Martins
No responses yet